TECNOLOGIA E GEOENGENHARIA : ALERTA CLIMÁTICO AOS TERRITÓRIOS
MANIFESTO: ALERTA CLIMÁTICO AOS TERRITÓRIOS
Trata-se de uma vivência crítica, um tipo de conhecimento situado que evidencia a distância entre os centros de decisão e os territórios afetados. Quando a mata, o solo e a paisagem passam a ser tratados como plataformas operacionais, algo essencial se perde: o reconhecimento da natureza como sistema vivo e do território como espaço habitado, cultural e ecológico.
Essa abordagem dialoga diretamente com a epistemologia feminista e crítica, especialmente com o conceito de conhecimento situado formulado por Donna Haraway, que questiona a pretensa neutralidade da ciência moderna e evidencia que todo conhecimento é produzido a partir de posições específicas, corporificadas e historicamente localizadas. O corpo, nesse sentido, não é um ruído no processo decisório, mas um ponto de observação legítimo.
Alerta aos Povos
Essa experiência não é um argumento sentimental, mas um alerta epistemológico.
Ela revela como projetos apresentados sob a lógica da urgência climática podem reproduzir padrões históricos de apropriação e silenciamento, nos quais a intervenção é normalizada e o impacto local é minimizado.
A governança climática, ao ignorar essas reações legítimas, corre o risco de aprofundar um déficit democrático já existente, substituindo o debate público por decisões tecnocráticas revestidas de neutralidade científica.
ALERTA CLIMÁTICO AOS TERRITÓRIOS
A crise climática é real. Mas a forma como estamos respondendo a ela também importa.
Quando florestas, zonas costeiras, campos e comunidades passam a ser tratados apenas como plataformas técnicas para soluções globais, algo essencial se rompe: o vínculo entre ciência, território e democracia.
Reações corporais de estranhamento, angústia ou repulsa diante de grandes infraestruturas em áreas naturais não são irracionalidade. São evidências precoces de conflito socioambiental e de decisões tomadas à distância, sem escuta efetiva.
A urgência climática não autoriza o silenciamento local.
Projetos climáticos sem participação, sem consentimento informado e sem avaliação integral de impactos produzem injustiça ambiental e aprofundam desigualdades históricas.
Não existe transição ecológica legítima sem justiça territorial.
Ciência comprometida com a vida precisa ser pública, plural e responsável — não capturada por interesses econômicos nem protegida por uma falsa neutralidade.
O futuro não pode ser imposto. Ele precisa ser construído com os territórios.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 21, n. 62, 2005.
CAMOLESE, Angela. Geoengenharia na COP 30: um chamado por justiça climática e o renascimento do planeta. [Artigo].
CAMOLESE, Angela. O desenho da esperança: cidades sustentáveis em tempos de clima em colapso. [Artigo].
Se leu, e achou coerência, poderia curtir, para ajudar no alerta? E se encontrou eco, poderia compartilhar para que o alerta chegue ao maior número de pessoas? Grata!
Cordialmente,


.png)
Comentários
Postar um comentário