Carta Brasileira para Cidades Inteligentes: tecnologia, território e gente no centro
Carta Brasileira para Cidades Inteligentes: um resumo
Durante muito tempo, falar em cidades inteligentes foi quase sinônimo de sensores, dados, aplicativos e infraestrutura digital. Mas a experiência brasileira, marcada por diversidade territorial, desigualdades históricas e criatividade social, exige algo mais profundo: inteligência urbana que conecta pessoas, território, cultura, tempo e tecnologia.É nesse contexto que surge a Carta Brasileira para Cidades Inteligentes (2020), um documento que propõe uma virada conceitual importante: cidades inteligentes não são as mais tecnológicas, mas as mais humanas, justas e conscientes.
Elaborada de forma colaborativa pelo Governo Federal, ministérios, academia, setor produtivo, sociedade civil e cooperação internacional, a Carta se consolida como uma agenda pública nacional para a transformação digital das cidades brasileiras, vinculada à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. Seu objetivo central é claro: usar a transformação digital como meio para reduzir desigualdades socioterritoriais e melhorar a qualidade de vida, e não como um fim em si mesma.
O Brasil urbano: diversidade, desigualdade e oportunidade
Com cerca de 85% da população vivendo em áreas urbanas, o Brasil é um país de cidades , mas cidades profundamente distintas entre si. São mais de 5.500 municípios, em sua maioria de pequeno porte, distribuídos em diferentes biomas, matrizes produtivas e realidades sociais. As desigualdades não estão apenas entre cidades, mas dentro delas, refletindo um histórico de exclusão no acesso a serviços, infraestrutura, oportunidades e direitos.
É por isso que a Carta adota como princípio estruturante o lema global “não deixar ninguém para trás”, alinhando-se à Agenda 2030, especialmente ao ODS 11, e à Nova Agenda Urbana da ONU-Habitat. No contexto brasileiro, isso significa reconhecer que qualquer iniciativa de cidade inteligente é, antes de tudo, uma ação de política urbana, que deve garantir o Direito à Cidade, hoje indissociável do acesso à conectividade, ao letramento digital e à participação cidadã.
Cidades inteligentes que fazem sentido para a vida real
A Carta propõe um conceito ampliado de cidades inteligentes, que supera a visão limitada centrada apenas em TICs.
As cidades que queremos são:
- diversas e justas, reduzindo desigualdades socioespaciais;
- vivas e centradas nas pessoas, promovendo bem-estar, convívio e autonomia;
- conectadas e inovadoras, sem desconsiderar saberes locais e inovação social;
- inclusivas e acolhedoras, com governança aberta, transparente e participativa;
- resilientes e seguras, preparadas para crises ambientais, sociais e climáticas;
- economicamente férteis, fortalecendo economias locais e a sociobiodiversidade;
- ambientalmente responsáveis, com soluções baseadas na natureza;
- conscientes do tempo e do espaço, respeitando o patrimônio, as gerações futuras e a escala do território;
- orientadas por dados, ética e reflexão, com avaliação contínua de impactos.
InterConect: quando a cidade pensa como sistema vivo
É nesse ponto que a Carta dialoga diretamente com o conceito da minha empresa de consultorias, InterConect: soluções integradas.
Uma cidade inteligente, sob essa perspectiva, não funciona por silos, tecnologia de um lado, social de outro, ambiente em terceiro. Ela interconecta dimensões: o digital com o físico, o global com o local, o dado com o cuidado, a inovação com a cultura.
InterConect é reconhecer que:
- tecnologia sem ética gera exclusão;
- dados sem contexto geram decisões ruins;
- eficiência sem humanidade gera cidades hostis.
Uma agenda para agora, e para o futuro
Ao estruturar oito Objetivos Estratégicos, a Carta oferece caminhos concretos para integrar transformação digital e desenvolvimento urbano sustentável: inclusão digital, governança de dados, novos modelos de gestão pública, financiamento urbano, educação cidadã e avaliação contínua de impactos.
Mais do que um documento técnico, ela sinaliza que a transformação digital é um processo vivo, dinâmico e político, que precisa ser conduzido com responsabilidade, transparência e visão de longo prazo.
Afinal, cidades não são plataformas: são ecossistemas humanos.
Se este conhecimento fez sentido para você, poderia curtir, me seguir e compartilhar?
Obrigada!
Angela CamoleseDesigner Regenerativa: Soluções Circulares com Consciência
Interconect Soluções Integradas:
Circular com sentido. Atuar com propósito
55 27 999330850
Para quem deseja se aprofundar
Este texto dialoga com a Carta Brasileira para Cidades Inteligentes (versão para consulta pública – 19/10/2020). A leitura do documento na íntegra é recomendada para quem quiser compreender os fundamentos técnicos, normativos e institucionais da proposta.Sugestão: link oficial para acesso público à Carta.
https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/desenvolvimento-urbano-e-metropolitano/projeto-andus/carta-brasileira-para-cidades-inteligentes


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